curadoria

A invenção do herói (The hero’s invention)

A invenção do herói

A figura heroica trata-se do arquétipo que conjura uma quantidade de virtudes em um indivíduo com o objetivo de superar algum problema comum da sociedade (guerras ou a aniquilação de inimigos). Para os gregos, o herói situa-se no intermediário entre seres mortais e deuses (ao exemplo de Hércules e Perseus) – configurando-se como um ser “semi-divino”. Sua figura geralmente emerge em momentos de crises sociais, sendo desta forma, personagens indispensáveis para a elaboração de narrativas, histórias e mitologias – é desse modo que o corpo do herói, torna-se a própria mensagem. 

A noção do corpo heróico como veículo de comunicação implica uma territorialidade midiática. É por isso que hoje experimentamos um amplo retorno desta figura, pelo fato de vivermos em um mundo midiático em que tudo depende totalmente do corpo. São corpos de atletas, estrelas da música,  modelos, atores e políticos. Disseminados, comentados e celebrados pela mídia, todos esses corpos dominam o nosso imaginário coletivo. É dessa forma que os meios de comunicação passam a ocupar um papel de extrema importância no que diz respeito à criação de ídolos da sociedade – não à toa que Andy Warhol com a Pop Art, reproduz incessantemente figuras como Marilyn Monroe e Elvis Presley em suas serigrafias.

Em suma, os meios de comunicação são responsáveis pela elaboração da figura heróica: de lideranças políticas a ícones pop da mídia. Entretanto, com deslocamento dos meios centralizados de comunicação (rádio e televisão) para a descentralização proposto pela internet, situamos numa era em que todo mundo passa a ser o seu próprio herói – era narcisista. É necessário compreender esta figura no contexto de uma luta simbólica pela definição dos valores de uma sociedade. A exposição “A invenção do herói”, portanto, não se prontifica apresentar e apontar para estas figuras, mas convida cada espectador a refletir sobre seu contexto no que diz respeito à elaboração de seus próprios heróis ou heroínas. 

Allan Yzumizawa
Curador MACS


Alex Flemming. “Turkei 57, 2000″; “Israel 52, 2001″.
Elen Braga. “A grande honra ao mérito, 2016″.

The hero’s invention

The heroic figure is the archetype that conjures several virtues in an individual to overcome some common problem in society (wars or the annihilation of enemies). For the Greeks, the hero is located between mortal beings and gods (like Hercules and Perseus) – configuring himself as a “semi-divine” being. His figure usually emerges in moments of social crisis, thus being an indispensable character to elaborate on narratives, stories, and mythologies – hence, the hero’s body becomes the message itself.

The notion of the heroic body as a communication vehicle implies media territoriality. That is why today we experience a broad return of this figure, mainly because we live in a mediatic context in which everything depends on the body. They are the bodies of athletes, music stars, models, actors, and politicians. Disseminated, mentioned, and celebrated by the media, all these bodies dominate our collective imagination. In this way, the media come to occupy a crucial role concerning the creation of idols of society – that’s why Andy Warhol, with Pop Art, incessantly reproduces figures like Marilyn Monroe and Elvis Presley in his screenprints.

In short, the media now occupy the place of enunciation, responsible for elaborating the heroic figure: from political leaders to pop media icons. However, with the shift from centralized media (radio and television) to the decentralization proposed by the internet, we are in an era in which everyone becomes their own hero – narcissistic era. Therefore it is necessary to understand this figure in the context of a symbolic struggle to define the values ​​of a society. The exhibition “The hero’s invention” does not aim to unveil and determine these heroic figures but instead invites the public to reflect and contextualize and thus to elaborate on their own heroes.

Allan Yzumizawa
MACS Curator

Fabiola Chiminazzo. “Setenta vezes sete, 2015”. Photo by: João Cazzaniga.

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